O incenso católico é igual aos incensos comuns?

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O uso do incenso católico nas Celebrações chama atenção para a sacralidade daquele momento, ainda que os fiéis não compreendam a totalidade do seu significado. Queimar incenso – ou a incensação – exprime reverência e oração, a exemplo do que expressa a Sagrada Escritura:

“Que minha oração suba até vós como a fumaça do incenso” (Salmo 140, 2).

Contudo, os fiéis precisam saber que o incenso católico, utilizado na Liturgia da Igreja, não é o mesmo utilizado em defumadores nos cultos africanos e nem mesmo semelhantes às varetas usadas nas religiões asiáticas e orientais.

Mas, afinal, qual o significado do incenso para os católicos? Por que ele é utilizado por outros povos?

O incenso no Cristianismo

O uso do incenso pelos cristãos é uma tradição com profundas raízes espirituais. Há milhares de anos o incensar é um gesto que expressa adoração a Deus. No Tabernáculo, assim como no templo, Deus ordenou que um “altar de incenso” fosse construído. Deus mandou também que Aarão, o sumo sacerdote, queimasse “um incenso perpétuo perante o Senhor ao longo de suas gerações” (Êxodo 30, 8).

Foi a partir do século IV, que Igreja adotou o incenso em seus ritos para expressar honra ao altar, às relíquias, aos objetos sagrados, aos sacerdotes e aos fiéis. Mas foi somente no século IX que ele passou a ser utilizado também no início da Missa, e apenas no século XI o altar se transformou no centro da incensação. Logo o incenso passou a ser utilizado também sobre as oferendas do pão e do vinho – corpo e sangue de Cristo – recordando a Epifania do Senhor: “Ao entrar na casa viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (Mateus 2,11).

Na Liturgia da Missa, durante o ato penitencial a incensação é feita para expiar os pecados, para nos limpar, nos purificar. Já o gesto de incensar o evangeliário demonstra veneração à Bíblia Sagrada. E no momento em que os fiéis são incensados, recorda-se que o Espírito Santo habita em todos. Nesse espírito, é recomendado que o fiel incline a cabeça e trace o sinal da cruz enquanto medita em seu coração com uma prece. Uma sugestão de oração para este momento seria:

“Eleve-se, Senhor, minha oração como este incenso à vossa presença, e desça sobre nós a vossa Misericórdia”.

Os cristãos também utilizam o incenso na Liturgia fúnebre demonstrando que o falecido permanece como membro da Igreja, santificado pelos sacramentos. Portanto, seu corpo morto é honrado com o incenso recordando como as santas mulheres, na manhã de Páscoa, queriam honrar o corpo de Jesus, ungindo-o com óleos preciosos.

O uso do incenso por outros povos

Os povos romanos e gregos em seus templos tinham um altar para o incenso, que era utilizado em sinal de homenagem e adoração aos ídolos. No culto ao imperador, a incensação possuía valor de reconhecimento da religião e do estado do imperador enquanto deus.

Entre os etruscos, o sumo sacerdote queimava o incenso em braseiros decorados e, com um toque de trombeta, anunciava o fim de um período e o início de um novo tempo. Já na Grécia era costume fazer a incensação da vítima do sacrifício para torná-la mais aceitável diante da divindade. Também pelos gregos o incenso era oferecido aos deuses e eram queimados nas casas dos doentes, pois acreditam que ele tinha um fim terapêutico.  

Os israelitas misturavam o incenso a outras substâncias perfumadas e com ele o sumo sacerdote entrava no espaço mais sagrado e reservado do templo. E entre os egípcios, o uso do incenso remonta há pelo menos quinze séculos antes de Cristo. Para eles, o incenso era o “perfume dos deuses”. Eles utilizavam este perfume para os rituais do templo, convencidos de que o incenso podia fazer chegar à divindade os desejos dos homens. Também o definiam como o “suor dos deuses que cai sobre a terra”.

Na Índia o incenso é queimado durante as meditações de yoga, a fim de facilitar o encontro com a divindade. Os indianos também utilizam o incenso para perfumar os fornos crematórios, como rito de passagem da vida terrena à ultraterrena. Além disso, eles utilizam o incenso também para o tratamento de enfermidades nervosas e reumáticas.

Na África o incenso é utilizado para acalmar dores de estômago, para melhorar o funcionamento do fígado e a circulação sanguínea.

Na Europa, em alguns povoados da Áustria e da Suíça, o incenso é queimado nas casas no período compreendido entre o Natal e a Epifania para garantir a boa saúde de todos. Costumam também queimar incenso durante festas de casamento e em bodas de prata, de ouro e de diamante.

Na América Central os maias associavam o incenso à lua, símbolo feminino portador de vida.  

Pelo incenso católico, a oração sobe ao céu

Diferentemente do uso do incenso por outros povos, para os cristãos, a incensação envolve uma atmosfera sagrada de oração que, como uma nuvem perfumada, sobe até Deus. No catolicismo, antes de ser utilizado, o incenso recebe uma bênção, por isso adquire um valor sacramental – sinal sagrado.

Para ser usado na liturgia, além da bênção, o incenso precisa obedecer critérios de produção e matéria-prima. Portanto, não é qualquer material que pode ser usado no culto divino.

Então, agora que você conheceu mais sobre o assunto, quando estiver na missa, observe atentamente a forma com que este material é tratado na liturgia.

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Referências bibliográficas:

Catecismo da Igreja Católica (CIC 2111)

Revista Paróquias & Casas Religiosas, ano 1, n.05, março/abril 2007

http://www.liturgia.pt/documentos/incenso.php

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