Porquê você precisa investir mais tempo organizando a liturgia da sua paróquia

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Embora a principal função da Liturgia não seja evangelizar, se estamos diante de uma Celebração Eucarística vivida com zelo e reverência e, do ponto de vista litúrgico, organizada e harmônica, é muito claro que tudo isso vai favorecer a experiência do primeiro anúncio para aqueles que estão se aproximando da fé, da experiência pessoal com Deus.

“A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da Liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar” (Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 24).

Por se tratar de um aspecto vital na vida da Igreja, a dimensão litúrgica merece empenho, investimento de tempo e trabalho para que possa ser este sinal da beleza de Cristo. Como um roteiro de lembranças sobre o que merece atenção na organização da Liturgia em uma comunidade, separamos, neste texto, alguns pontos para reflexão.

Equipe de Liturgia em comunhão com as demais pastorais

O ditado diz que uma andorinha não faz verão, não é mesmo? A vida litúrgica de uma paróquia é algo tão grandioso e, ao mesmo tempo, tão simples, que deve sempre caminhar em comunhão com as demais pastorais e setores.

Muitas vezes, não há muita conversa e alinhamento de estratégias para o desenvolvimento das ações entre as pastorais. Exemplo: uma equipe de música que não se relaciona com a liturgia. Isso pode gerar um descompasso nas celebrações, pois a liturgia prepara uma coisa e o ministério de música pode preparar algo que não tenha relação com a proposta, e vice-versa. Isso pode acontecer com várias outras pastorais.

Portanto, nossa sugestão é que a equipe de liturgia mantenha sempre os canais de diálogo abertos com as demais pastorais e, além disso, procure alinhar estratégias para que tudo seja vivido em unidade e comunhão.

O espaço sagrado e o acolhimento

A vida corrida, rotina apertada, pressa e estresse não são “privilégios” de poucos. A geração atual tem ritmos de vida distintos, mas, no geral, boa parte das pessoas está imersa neste contexto. E quando conseguem visitar uma igreja, procuram ali um ambiente de paz, silencioso e acolhedor. Procuram uma experiência com consolo de Deus!

O espaço sagrado, o zelo com os paramentos litúrgicos e o acolhimento podem colaborar com essa expectativa. Sobre isso, o Papa Francisco também nos ensina: “A beleza de tudo o que é litúrgico não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado”.

De modo geral, é muito importante observar como anda o espaço de sua comunidade, independente dos recursos disponíveis para investimentos ou da classe social em que se enquadra.

Um ambiente limpo, acessível, belo e organizado fazem toda diferença. Desde os menores detalhes à arquitetura, o espaço deve ser orientado a favorecer o encontro com Deus. A partir dessa avaliação, pergunte-se como você pode atuar para melhorar ou mesmo transformar este contexto em sua comunidade.

As crianças e a liturgia

Para os pais, o desafio de educar nos valores da fé, mostrar que a Igreja é um local de experiência com Deus e que ali há alguns protocolos a serem observados. E isso exige repetição, amor e compreensão. O desafio de ensinar sobre o silêncio sem tolher a espontaneidade que é própria dos pequenos. Para a comunidade, fica o exercício da caridade e da generosidade, pois é preciso dar acesso às crianças aos símbolos da fé, à liturgia.

Já a equipe de Liturgia precisa aprender a lidar com todas as expectativas a respeito disso e, com criatividade, transformar as celebrações litúrgicas em ocasiões onde todos podem viver sob essa graça.

Nossa dica, principalmente para os pais, é iniciar a criança na catequese vivida no lar, na chamada Igreja Doméstica. Assim como se ensina a ler, sentar à mesa para comer, falar corretamente, é preciso ensinar a rezar também. E não há nada mais eficaz, do ponto de vista educativo, do que aprender com bons exemplos. Portanto, que os pais cultivem a vida espiritual no lar. Isso fará grande diferença no momento em que as crianças se virem no ambiente da Igreja.

Para a Equipe de Liturgia, a recomendação é do Diretório para Missa Com Crianças, documento da Igreja preparado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino (1973). “[…] deve-se precaver cuidadosamente para que as crianças não se sintam esquecidas em virtude da incapacidade de participar e entender aquilo que se realiza e proclama na celebração. Leve-se, pois, em consideração a sua presença, por exemplo, dirigindo-se a elas com certas munições apropriadas no começo e no final da Missa, em alguma parte da homilia etc.”

Não se pode esquecer que, neste processo de acolhimento das crianças, a Igreja conquista a confiança e o afeto também dos pais, porque vence qualquer tipo de hostilidade e indiferença para com a família, que é um bem tão precioso para Deus e para a humanidade.

Estes são apenas 3 pontos para reflexão, mas, até mesmo neste processo de avaliação interna, é possível identificar vários outros. Faça a experiência de reunir as lideranças de sua comunidade para partilhar sobre as vivências, expectativas e propostas e, assim, fazer com que a vida litúrgica cumpra plenamente o seu papel.

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